20/4/2010
MARCADOS PARA A GLÓRIA

Marcados para a Glória com ferros do Amor
2 Coríntios 6:4-10

1. Introdução
Queridos colegas pastores, vocês foram marcados para a Glória pelos ferros do Amor.

2. Contextualização
O Apóstolo Paulo está apresentando a realidade do seu ministério. Ele mostra o seu dia a dia por amor das igrejas. O que ele era podia não ser o que as pessoas achavam. Isso revela que há mais de uma realidade para o pastor. Até uma das leis mais conhecidas tem um resultado distorcido quando falamos sobre a função do pastorado: A lei da causa e conseqüência.
Paulo nos mostra que o que as pessoas percebem não é a realidade e as conseqüências finais do ministério não são causadas diretamente pelo que se vê. O ministério pastoral é repleto de paradoxos.
Uma questão de percepção:
a. Eles passam por enganadores, mas são verdadeiros
b. Eles passam por desconhecidos, mas são bem conhecidos
c. Eles passam por mortos, mas estão muito vivos
Uma questão de conseqüência:
d. Eles são castigados, mas não desistem
e. Eles são entristecidos, mas estão sempre alegres
f. Eles são pobres, mas fazem muitos ricos
g. Eles não têm nada, mas possuem tudo
Ser pastor é viver esse paradoxo. Há contudo, grandes desafios para vivermos dessa forma.

3. Sofrimento: A natureza do Pastorado
Vocês que foram chamados um dia para servir talvez não sabiam que o chamado para ser servo implicava ser Doulos e não Diáconos.

Ambas palavras podem ser traduzidas por ‘servo’, mas “diáconos” é um servo voluntário. É como aquele jovem rico que escolheu não servir a Deus, seguindo a Cristo.

Doulos significa escravo. É como Paulo que foi escolhido para sofrer pelo Evangelho. Você é um Doulos de Deus.
Eugene Peterson disse que “entre outras coisas, o trabalho pastoral é lidar, nos termos mais íntimos e pessoais, com o sofrimento”. Há uma marca divina na sua alma para sofrer com os que sofrem.
Jesus Cristo sabia o que era sofrer sozinho. Ele chorou ao ver Jerusalém como ovelhas que não tinham um pastor, ele se compadeceu dos que não tinham o que comer e ele chorou quando sentiu a iminência do terror da cruz.

O Doulos sofre em dobro. Ele sofre a sua dor e a dor dos outros.

4. O Chamado Pastoral
Você pode, uma vez ou outra se perguntar por que você é pastor. Você já passou pela síndrome de Amós? Ou viveu o dilema de Jonas? Tudo depende da vontade de Deus.

O Reino do Norte, Israel, vivia sitiado pelo seu maior inimigo – A Assíria. Ao mesmo tempo, o povo estava longe de Deus e sem relações com seus irmãos do Reino do Sul – Judá. A solução de Deus foi simples. Ele chamou um profeta do Reino do Norte, Jonas para pregar na capital da Assíria – Nínive, e chamou um pastor do Reino do Sul, Amós e o mandou para a capital de Israel, Samaria para pregar a palavra do arrependimento. Isso acontecia ao mesmo tempo. Cada um teve conflitos. Um dizia que não era profeta ou outro simplesmente fugiu e acabou engolido por uma baleia. Que dificuldade! Também, pudera! Deus “dificultou” as coisas para esses profetas. Mas o que fica claro nessas duas histórias é que o ofício do pastor nasce nas entranhas de Deus. Você pode reclamar, mas não pode mudar, você pode fugir, mas não pode escapar.

David Hansen diz com propriedade que “ser pastor não é só uma questão de possuir uma coleção de dons espirituais pastorais. Ser pastor é um "dom próprio”.

5. A Dificuldade Pastoral
Ser pastor tem suas dificuldades que vão além da dor e da dúvida do pastorado. Podemos nos perder no pastorado. Podemos perder o foco e assumimos um hiper-ativismo que nos consome muito mais do que o peso do chamado que temos.

O Pr. Humberto Aragão afirma que “quando vemos o ministério como algo a fazer ao invés de motivo de existir não teremos propósitos estabelecidos que demonstrem a razão de estarmos fazendo o que fazemos”.

O Pr. Humberto nos alerta para esse ativismo. Nós nos secamos por dentro e perdemos o contato mais preciosos que temos: Deus.
Paulo tem a certeza de que ele não caiu nessa armadilha. Pelo contrário, ele se recomenda em todas as situações. Olhem as situações do pastor:
a. Ossos do ofício
i. Paciência
ii. Aflições
iii. Privações
iv. Angústias

b. Perseguições do Homem
i. Açoites
ii. Prisões
iii. Tumultos

c. Preparação para o ministério
i. Trabalhos
ii. Vigílias
iii. Jejuns

d. Caráter Pessoal
i. Pureza
ii. Saber
iii. Longanimidade
iv. Bondade

e. Preparação Espiritual
i. Espírito Santo
ii. Amor (ágape)
iii. Palavra da Verdade
iv. Poder de Deus
Em tudo somos tentados e temos que estar preparados para tudo.

6. Caminhando unidos para a glória
Paulo nos revela no início desse texto um segredo muito importante para podermos viver todos esses desafios. Para ele há um jeito de vencermos esse paradoxo, sem abrirmos mão dele.

v. 4 – Em tudo recomendamo-nos, a nós mesmos.
O que você vê aqui? O grande Paulo não era um homem solitário. Ele pensava no ministério como um colegiado. Mesmo com toda aquela pose de desbravador, Paulo era um homem que precisava ter outras pessoas ao seu redor. Ele começou trabalhando com Barnabé, depois ele sempre viajava com uma comitiva, e no final da vida ele chega a pedir que João Marcos vá visitá-lo. Ele precisava de ter alguém por perto.
E nós, que fomos marcados para a glória de Deus precisamos encontrar na amizade de um colega pastor a força para suportarmos as ferroadas do amor, relevadas no ministério.

Stu Weber comenta nos seu livro Companheiros de Luta que “De acordo com as Escrituras,a glória de Deus é o propósito fundamental para tudo que existe. E se você ler isso de maneira correta, acho que descobrirá, a amizade no próprio âmago – no centro exato, no marco zero – de tudo que Deus quis dizer com glória de Deus”.

Nós fomos marcados para a glória de Deus, e o nosso maior desafio não é enchermos as igrejas, ou aumentarmos a nossa arrecadação. O nosso maior desafio é gerar a glória de Deus em nossas vidas apesar do Ministério e não pode causa do Ministério. Por isso, creio que, antes de sofrermos qualquer coisa no ministério e nos acharmos coitadinhos por isso, devemos encontrar amigos para glorificarmos a Deus juntos, desenvolvendo amizades que impressionem nossos membros e que inspirem homens e mulheres a glorificarem a Deus juntos.

7. Aplicação:
Nós, que sofremos o dia a dia do ministério, por sermos doulos de Deus, podemos até gostar dessa vida. Ela é repleta de bênçãos, eu sei. Estou nela há vinte e três anos. Mas, nada dói mais do que o peso do ministério. Se sou marcado para a glória não é porque eu sou um bom pastor, mas porque eu sou limitado e preciso de cada um de vocês para glorificar a Deus nas coisas que faço e na pessoa que eu ainda posso ser.

Gostaria de orar com vocês. Sugiro que você encontre um parceiro de oração, ou um grupo de oração. Diga a Deus que você precisa de um amigo, assim como Paulo não teve medo de dizer isso.




 

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